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Rubinho: o talento e o amor do Lagoense que jogou pelo Cruzeiro

Rubens Luiz Resende, mais conhecido como Rubinho, de 54 anos, começou sua aventura pelo futebol em 1977, aos 16 anos de idade, quando tentou uma vaga no Atlético Mineiro. Apesar de ter passado, suas condições financeiras não permitiram continuar em Belo Horizonte. Depois de diversas passagens por times regionais – consagrando-o anos depois -, Rubinho, em 1982, integrou aquela que seria a equipe de seu coração, o Cruzeiro Esporte Clube. Acompanhe a história do craque que aprendeu e ensinou que, mais do que troféus, a maior conquista do ser humano é a formação do caráter.

 

Foto: Ana Carolina Gomes
Rubinho e suas fotos dos tempos de Cruzeiro

Correio Lagoense: Quais as principais dificuldades que você enfrentou para seguir com a carreira de jogador?
Rubens Luiz Resende: Na época, a carreira no futebol profissional era difícil. Em 1977, eu passei no teste para jogar pelo Atlético, mas não tive condições financeiras para permanecer, porque a categoria infato-juvenil não dava suporte para os atletas, como o alojamento, por exemplo. Como eu não tinha nenhum parente em Belo Horizonte, não tinha onde ficar ou estudar e acabei retornando para casa no mesmo ano.
CL: E como chegou ao Cruzeiro?
Rubens: Já na década de 1980, o time júnior do Cruzeiro veio jogar em Lagoa Dourada e durante a partida acabei me destacando como o melhor jogador em campo. Após o treino, eles me convidaram para jogar no time mineiro. Eu respondi que iria, no entanto, não para fazer teste, já que eles já haviam me visto jogar. O treinador respondeu que eu já era titular, e que já estava contratado para jogar no time de base do Cruzeiro – isso com 19 anos de idade.
CL: Você atuou em um time grande, o Cruzeiro. Como era sua relação com a equipe e a rotina de treinamento da época?
Rubens: Admito que a primeira semana foi dolorosa. A rotina de treinos era puxada e de início tinha a sensação das pessoas me isolarem. Batia muita vontade de voltar, porém, com o decorrer do tempo a convivência melhora e os vínculos de amizade ficam mais fortes. Agora, a maior dificuldade para qualquer atleta – e também o seu maior objetivo – é o momento que você passa da base, para o futebol profissional.
CL: Quanto tempo você ficou no Cruzeiro?
Rubens: No Cruzeiro eu permaneci cerca de três anos. Cheguei a me tornar profissional, porém, com apenas dois meses de contrato retornei para Lagoa, onde acabei tendo uma contusão durante um jogo com os amigos. A recuperação demorou cerca de dois anos. Depois disso fui emprestado para times menores. Foi nesse momento que senti minha carreira regredir.
CL: Qual a principal história que você vivenciou na época do Cruzeiro?
Rubens: Tenho duas histórias interessantes, uma delas foi quando treinei pela primeira vez na  Toca da Raposa. O treinador Yustrich, até já falecido, foi quem me fez o convite. Dessa forma eu treinava pela manhã no Bairro Preto, em Belo Horizonte e a tarde na Toca, foi um sonho. A outra foi que eu tive o prazer de treinar contra a Seleção Brasileira  de 1982. A equipe júnior do Cruzeiro treinou contra eles, e mesmo perdendo por 8 x 2 no pós jogo corremos para ver a matéria que iria passar no Globo Esporte daquele dia.
CL: Você conquistou algum título quando jogou pelo Cruzeiro?
Rubens: Pelo Cruzeiro não. Depois que minha carreira retrocedeu, surgiu a oportunidade de atuar na Venezuela, porém, na época, o país sofria com o tráfico de drogas, fazendo com que o governo interditasse a entrada de qualquer estrangeiro no país. Entretanto, cheguei a conquistar títulos em outros times, como o Minas, de São João del-Rei. E antes de ir para o Cruzeiro, também havia ganhado título invicto pelo júnior do Social, e em 1987, no Minas, fui campeão amador com direito ao gol do título. Também fui bicampeão em 1991 e 1992 pelo Minas.
CL: Durante sua carreira como jogador, como foi o apoio da sua família?
Rubens: Minha família sempre me apoiou. A falta de condições que foi o grande empecilho no começo da minha carreira. Meu pai me dava o dinheiro da passagem, e conseguiu me manter por um tempo.

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